Michelle retoma ataques a Flávio Bolsonaro por aliança com Ciro Gomes: “o jogo é sujo”

Michelle retomou as críticas a aliança com Ciro Gomes no Ceará, que foi o estopim para declaração de guerra contra os enteados. Flávio Bolsonaro chegou a recuar diante da ofensiva da madrasta, mas tucano diz que guarda "vaga" para o clã em sua chapa.
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Três meses após declarar guerra aos enteados pela condução de negociatas envolvendo o clã Bolsonaro nas eleições estaduais, Michelle Bolsonaro (PL) voltou à tona na madrugada deste sábado (7) e atacou novamente a tentativa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de costurar uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) na disputa ao governo do Ceará.

Nas anotações flagradas pela Folha durante reunião de dirigentes do Partido Liberal em 24 de fevereiro, Flávio escreve “PL na chapa” ao lado do nome de Ciro Gomes sobre a disputa ao governo do Ceará. “No palanque c/ Ciro pode fazer tb Cap. Wagner (x PT)”, anotou ainda Flávio.

ENTENDA:

No comando do União Brasil, o ex-deputado Capitão Wagner vem costurando um amplo apoio a Ciro no Ceará, que inclui a federação com o PP, para fazer frente ao atual governador, Elmano de Freitas, do PT, favorito na disputa.

Na madrugada, Michelle compartilhou uma notícia do site Diário do Nordeste que revela uma declaração de Ciro dizendo que ela “humilhou” o deputado bolsonarista André Fernandes.

“Todo mundo viu, a esposa do ex-presidente da República, do Bolsonaro, veio aqui, humilhou André Fernandes, que é o presidente do PL. E eu não tenho nada a ver com isso, eu fiquei quieto. Aí o PL pediu um tempo para pacificar o problema interno deles. Quem sou eu para dizer ‘não’? Dou o tempo. Está guardada aqui uma vaga para a aliança que una toda a oposição para salvar o Ceará”, disse Ciro, segundo o site, durante o Encontro dos Produtores Rurais do Ceará (Eproce) nesta sexta-feira (6).

No storie seguinte, Michelle manda um novo recado aos enteados, em especial a Flávio, que vem conduzindo as negociações nos Estados, muitas vezes atrapalhando os planos da madrasta.

“O jogo é sujo, meus amigos… E muito mais sujo do que muitos imaginam”, escreveu a ex-primeira-dama sobre as negociatas conduzidas por Flávio Bolsonaro.

Guerra com a madrasta
Dias antes de Flávio ser ungido pelo pai, Jair Bolsonaro, como pré-candidato à Presidência, Michelle, que também se colocava na disputa ao Planalto, declarou guerra aos enteados em meio às negociações conduzidas pelo deputado André Fernandes (PL-RJ) com Ciro Gomes no Ceará.

Acusada de “autoritária” por Carlos, Eduardo e o próprio Flávio Bolsonaro, Michelle passou a madrugada do dia 2 de dezembro de 2025 nas redes sociais rebatendo os enteados, horas antes de uma reunião de urgência convocada pelo PL para debater a guerra no clã.

Embora diga que “não vou” responder “às manifestações dos meus enteados”, Michelle divulgou uma nota rebatendo todas os ataques, vindos especialmente de Flávio, que afirmou que a madrasta “não é política e precisa entender que a forma de tomar uma decisão às vezes é mais importante do que a própria decisão”, em declaração machista e misógina ao site Metrópoles.

“Eu respeito a opinião dos meus enteados, mas penso diferente e tenho o direito de expressar meus pensamentos com liberdade e sinceridade”, afirmou, mirando Flávio em seguida.

“Antes de ser uma líder política, eu sou mulher, sou mãe, sou esposa e, se tiver que escolher entre ser política, mãe ou esposa, ficarei com as duas últimas opções”, emendou Michelle, apresentando seu trunfo na guerra: o comando do eleitorado feminino na ultradireita.

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Michelle abre a nota dizendo que “vivemos tempos difíceis” e que “nesses períodos, é normal que os nervos fiquem à flor da pele e podemos vir a machucar aqueles a quem jamais gostaríamos de magoar”.

No entanto, a ex-primeira-dama deixa claro aos enteados e aos caciques do PL que não vai retroceder e incita apoiadores.

“Cada pessoa é livre para tomar as suas decisões, e eu o faço considerando, coerentemente, os meus valores: a minha fé e os princípios de uma política honesta, limpa e que verdadeiramente transforme a vida das pessoas – é nisso que acredito e é por esses objetivos que tenho trabalhado todos os dias”, ressalta, indicando sua plataforma eleitoral, descrita no livro “Edificando a Nação: Sobre Bases e Valores”.

Em seguida, ela passa a detonar a aliança costurada no Ceará por André Fernandes, que teve aval do marido, com o grupo político de Ciro Gomes.

“Eu jamais poderia concordar em ceder o meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou ao meu marido e à minha família. Como apoiar (ou deixar de, caridosamente, admoestar quem apoia) um homem que foi responsável por implantar a narrativa que rotulou o meu marido como genocida? Como ficar feliz com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos? Como ser conivente com o apoio a uma raposa política que se diz orgulhoso de ter feito a petição que levou à inelegibilidade do meu marido e se diz satisfeito com a perseguição que ele tem sofrido?”, dispara.

Michelle segue dizendo que “acredito em uma política diferente” e que “não basta derrotar o PT e a esquerda; é preciso fazê-lo mantendo-nos fieis aos nossos valores”.

“No evento [no Ceará], vi nos olhos do povo que ama Bolsonaro o mesmo desconforto e insatisfação que eu sinto. Penso que derrotar o PT dessa forma seria o mesmo que trocar Joseph Stalin por Vladimir Lenin”, disse a ex-primeira-dama, comparando Lula e Ciro aos dois líderes socialistas.

Michelle, então, enfatiza que não apoiará a aliança “ainda que essa fosse a vontade do Jair”, ressaltando que “ele não me falou se é”.

“Peço aos meus enteados que me entendam e me perdoem, não foi minha intenção contrariá-los. Eu, assim como eles, quero apenas o melhor para o nosso herói, seu pai, meu esposo e o maior líder que esse país já teve – Jair Messias Bolsonaro”, conclui.

Em seguida, Michelle publicou seis vídeos com declarações de Ciro Gomes atacando o clã e uma notícia de Aécio Neves, líder do PSDB, dizendo que “não apoiaremos família Bolsonaro nem Lula em 2026”.

A ex-primeira-dama encerrou os ataques por volta das 4 horas desta terça-feira com novo recado aos enteados e aliados deles.

“E diante de todas as atrocidades, calúnias e difamações que Ciro Gomes lança contra mim, contra o meu marido, contra os meus enteados, seguimos firmes na verdade. Nada disso muda quem somos, nem o propósito que Deus nos confiou. Jamais negociareis os meus valores”, conclui.

Recuo
Após levar a briga com a madrasta ao pai, na cela onde está preso na Papudinha, Flávio recuou da guerra com Michelle Bolsonaro (PL) e disse que chegou a “pedir desculpas a ela”.

Em entrevista após deixar a PF, o senador afirmou que Bolsonaro “não consegue acompanhar muito, porque nesse cubículo que ele está de 12 metros quadrados” por ter apenas uma televisão de TV aberta.

“Então eu expliquei pra ele o que tinha acontecido, e falei pra ele que já me resolvi com a Michelle, pedi desculpas a ela, ela também”, afirmou o filho “01”, que havia se autoproclamado porta-voz do clã, ressaltando que a reunião do PL para debater a “autoritária” ex-primeira-dama servirá “para a ente criar, na verdade, uma rotina de tomar as decisões em conjunto”.

Flávio, então, disse que o pai teria recuado na aliança com Ciro Gomes (PSDB) e o grupo do tucano Tasso Jereissati no Ceará, que motivou o levante de Michelle, que humilhou publicamente o deputado André Fernandes (PL-CE), que estava à frente da negociata em torno do apoio ao pai, Alcides Fernandes (PL-CE), na disputa ao Senado.

“Não teve apoio a Ciro, porque ali eram conversas. Não tinha decisão nenhuma tomada, como não tem até agora”, disse o senador, contradizendo a declaração do dia anterior, quando atacou a madrasta por dizer que o pai teria dado aval à aliança.

Flávio ainda se mostrou manso dirigindo agora elogios à madrasta.

“Então não tem problema nenhum com a Michelle, é uma mulher que conquistou e virou uma referência no país inteiro, que levou o movimento de mulheres por todo o Brasil, uma mulher respeitada e tem uma boa imagem, que é um grande quadro sim do nosso partido e que tem um papel muito importante nesse momento do Brasil. A gente vai estar junto, não adianta quererem separar, divergências fazem parte e a gente vai tentar conversar e alinhar em todos os estados, incluindo o Ceará”.

O senador ainda tentou minimizar a dura nota em que Michelle manteve sua posição e rebateu uma fala machista dele, dizendo que era “não era política”.

“Mas, ela está tratando de uma coisa que a gente não está tratando. A minha questão foi a forma como as coisas aconteceram, não é o possível palanque lá. E ela está partindo do princípio de que já tinha uma decisão, que ela estava ouvindo de algumas pessoas que já existia essa decisão”, afirmou.

Três dias depois, Flávio deu nova coletiva afirmando que o pai o havia escolhido como pré-candidato à Presidência. Contrariada, Michelle chegou a pedir afastamento da PL no dia 9 de dezembro e até hoje não fez sequer uma publicação em apoio à pré-candidatura do enteado nas redes.

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Por Revista Fórum






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