

Redução do horário de aulas em Paulo Afonso na Bahia mostra como calor extremo pode afetar aprendizado nas escolas
A assessoria de comunicação da prefeitura contou que não foi registrada nenhuma situação de mal estar causada pelo calor extremo. A medida é preventiva, para preservar a saúde dos estudantes e profissionais da educação.
🌡️ Nos próximos dias, os termômetros da cidade poderão atingir a temperatura máxima de 41ºC. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o El Niño deve continuar atuando no estado até o início de 2027, levando calor acima dos 40°C e falta de chuva em parte do litoral.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
Francisco Costa, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador na área de meio ambiente, afirma que evidências científicas correlacionam o declínio da produtividade à exposição ao calor extremo.
Ele é um dos responsáveis pelo estudo “Quente demais para aprender? Evidências sobre a evasão escolar no ensino médio no Brasil”, publicado em 2024. Na pesquisa, foram analisados indicadores de repetência, evasão escolar e progressão dos estudantes em 30 mil escolas brasileiras ao longo de 12 anos.
“Mais dias de calor contribuem para a evasão escolar no ensino médio nas escolas públicas. A exposição frequente ao calor reduz a performance tanto do aluno, como do professor”, explicou
A pesquisa ainda demonstrou que o calor costuma afetar o aprendizado apenas nas escolas públicas que ficam em regiões urbanas. Segundo Francisco, nas escolas privadas o índice foi zero.
“Para muitos adolescentes, a ida para a escola está associada ao custo benefício. Se ele sente que não está aprendendo e ainda precisa trabalhar, por exemplo, o calor pode influenciar na decisão, como uma piora na experiência de sala de aula”, analisou.
“Ele não é o causador da evasão escolar, mas pode ser a gota d’água”.
Fabiane Silva, mãe de um aluno que cursa o 9º ano do ensino fundamental na Escola João Bosco, foi a favor da redução da carga horária. “Aqui está muito quente, muito abafado. Achei compreensível essa redução”, comentou.
Novos horários
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| Escola municipal de Paulo Afonso — Foto: Prefeitura de Paulo Afonso |
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As modificações foram feitas apenas nas escolas do município, enquanto nas escolas estaduais as aulas seguem com carga horária normal. A Secretaria de Educação do Estado (Sec) informou que a rede estadual de ensino conta com seis unidades escolares em Paulo Afonso, e todas têm salas de aula climatizadas com ar-condicionado.
A redução das aulas nas unidades municipais acontece em um cenário onde nem todas as escolas contam com ar-condicionado.
Segundo a prefeitura, foi feita uma inspeção nas escolas para avaliar a capacidade de ampliação dos sistemas de climatização. O estudo indicou que parte das unidades precisam de adequações na rede elétrica para suportar com segurança a operação simultânea de equipamentos de climatização.
Com a alteração por conta do calor, as aulas passaram a acabar mais cedo no período da manhã e da tarde.
Modificação dos horários de aula nas escolas municipais de Paulo Afonso
| Horários oficiais | Novos horários | Carga horária reduzida | |
| Anos iniciais (Matutino) | 7h às 11h | 7h às 10h20 | 40 minutos |
| Anos finais (Matutino) | 7h às 11h10 | 7h às 10h20 | 50 minutos |
| Anos iniciais (Vespertino) | 13h às 17h | 13h às 16h20 | 40 minutos |
| Anos finais (Vespertino) | 13 às 17h10 | 13h às 16h20 | 50 minutos |
| Creches | 7h às 16h | 7h às 16h | Sem alteração |
Segundo a prefeitura, a redução das aulas diminui o tempo de exposição ao calor intenso, especialmente nos períodos mais críticos do dia.
Porém, a decisão pela redução não levou em conta apenas os horários de pico de calor, mas também aspectos logísticos como transporte escolar, alimentação dos estudantes nas escolas, rotina das famílias e organização de funcionamento das unidades de ensino.
Mudanças climáticas
Para o professor Francisco Costa, o El Niño não é o único responsável pelo calor extremo. Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas, será preciso olhar com atenção para a relação entre o aprendizado e o calor.
“Os dias com temperaturas mais quentes vão aumentar e nesse cenário o investimento em infraestrutura é ainda mais importante”, explicou.
A forma mais simples de resolver o problema é justamente climatizar as salas de aula — reforma que exige planejamento e investimento da gestão municipal.
Segundo a Prefeitura de Paulo Afonso, será feita a implantação gradual das melhorias estruturais nas escolas, observando os critérios técnicos, disponibilidade orçamentária e planejamento operacional.
por Redação 2JN – g1 ba
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