

Globo tentou blindar “golpe” de Bolsonaro e Bonner cobrou de Ali Kamel: “é correto fazer de conta que não está percebendo?”
Em “A Globo Vol 3 (Metamorfose)”, terceiro livro da trilogia sobre a atuação da emissora entre 1999 e 2025, Rodrigues narra o período de forte tensão em junho de 2021 e usa declaração de Bonner, que relata que cobrou um posicionamento do então diretor de jornalismo, Ali Kamel, sobre os arroubos autoritários de Bolsonaro durante a pandemia, sinalizando o planejamento de um golpe.
📱 SIGA PRA MAIS NOTÍCIAS: entre na comunidade do 2JN no WhatsApp
LEIA TAMBÉM
“O Ali reagiu a uma provocação. Eu fui à sala dele e disse que nós todos sabíamos que o Jair Bolsonaro estava planejando um golpe, ele queria um golpe. E não é que nós fôssemos muito espertos, é porque eles estavam dizendo isso: ele já tinha anunciado no 7 de Setembro, já tinha feito a pirotecnia dele, já tinha se referido ao ‘meu Exército’”, contou Bonner ao colega, que trabalhou por 15 anos como editor de telejornais como Jornal Nacional e Jornal da Globo, a partir de 1986 – antes, ele já havia tido passagem, no início dos anos 1980, no jornal O Globo.
Em seguida, Bonner conta que cobrou posicionamento de Kamel, todo-poderoso do jornalismo da emissora e porta-voz dos irmãos Marinho.
“E aí eu disse ao Ali: Nós não fazemos campanha, está certo. Princípios editoriais. No entanto, diante de todos os sinais que o Jair Bolsonaro está dando, é correto a gente fazer de conta que não está percebendo?”, disparou o então editor do JN ao chefe, em trecho divulgado pelo também ex-Globo Guilherme Amado em seu site Amado Mundo e confirmado pela Fórum.
Dias depois da conversa, em 19 de junho de 2021, quando o Brasil registrou 500 mil mortes na pandemia da Covid-19, Bonner e Renata Vasconcelos leram um editorial com o tímido recado de que “quando o assunto é saúde e democracia, não existem dois lados”.
O livro de Ernesto Rodrigues, com a entrevista com Bonner, foi lançado no mês passado pela editora Autêntica e completa a trilogia em que o autor diz fazer “uma imersão profunda e independente nos bastidores e na história da maior emissora de televisão do Brasil”.
“O livro mostra ainda como a Globo, sem concorrentes nas grandes coberturas jornalísticas nacionais e internacionais do século 21, mergulhou fundo com a grande imprensa em uma cobertura estridente e enviesada do Mensalão e da Lava Jato, pagando um preço alto de credibilidade, atacada ora pela extrema direita de Jair Bolsonaro, ora pela esquerda, à medida que a gritaria ideológica polarizada das redes sociais e o fenômeno das fake news tomaram conta da internet”, diz a editora sobre a obra.
por Redação 2JN
LEIA TAMBÉM








