CPMI do INSS começa com votação para convocar ex-ministros a depor

Comandada pela oposição, comissão mista no Congresso Nacional investigará descontos indevidos nas aposentadorias; saiba como vai funcionar
0

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS realiza nesta terça-feira (26), a partir das 9h, sua primeira reunião de trabalho. Na pauta estão 35 requerimentos, entre eles convocações de ex-ministros e ex-presidentes do instituto, além de pedidos de informações a órgãos de controle como a Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Defensoria Pública da União (DPU).

📱 SIGA PRA MAIS NOTÍCIAS: entre na comunidade do 2JN no WhatsApp

O colegiado foi criado para investigar o esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O escândalo, revelado por operações da PF e da CGU, só começou a ser apurado formalmente em 2023, com o início do governo Lula.

LEIA TAMBÉM




Disputa política dentro da comissão

Entre os nomes já indicados para depor estão os ex-ministros da Previdência Carlos Lupi, que deixou a pasta em maio deste ano; Carlos Eduardo Gabas, que ocupou o cargo no governo Dilma Rousseff e novamente em 2025; e José Carlos Oliveira, ministro durante a gestão de Jair Bolsonaro. Também estão na lista dez ex-presidentes do INSS, além do ex-secretário de Previdência Marcelo Abi-Ramia Caetano.

A oposição, que conseguiu assumir a presidência e a relatoria da comissão com o senador Carlos Viana (Podemos-MG) e o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), tenta direcionar os holofotes para nomes ligados ao atual governo. Mas o fato é que as fraudes tiveram início na gestão anterior, justamente quando Bolsonaro desmontou mecanismos de fiscalização e deu espaço para práticas que atingiram milhões de aposentados.
Te podría interesar

Foto ilustrativa de la nota titulada: Quem é o Senador Carlos Viana, eleito presidente da CPMI do INSS
CPMI DO INSS
Quem é o Senador Carlos Viana, eleito presidente da CPMI do INSS

Durante a instalação da CPMI, Gaspar afirmou que a investigação “vai seguir o caminho do dinheiro” e previu punições severas aos envolvidos, podendo ultrapassar 30 anos de prisão. O relator apresentou requerimentos para convocar autoridades e técnicos, além de solicitar acesso a inquéritos e auditorias já em curso.
Lista de convocados na primeira votação

Entre os 35 requerimentos em análise nesta terça-feira, estão convocações para que prestem depoimento à CPMI:

Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência Social
Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência Social
José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência
Marcelo Abi-Ramia Caetano, ex-secretário de Previdência do Ministério da Fazenda
Lindolfo Neto de Oliveira Sales, ex-presidente do INSS
Renato Rodrigues Vieira, ex-presidente do INSS
Leonardo José Rolim Guimarães, ex-presidente do INSS
Alessandro Antonio Stefanutto, ex-presidente do INSS
Elisete Berchiol da Silva Iwai, ex-presidente do INSS
Guilherme Gastaldello Pinheiro Serrano, ex-presidente do INSS
Glauco André Fonseca Wamburg, ex-presidente do INSS
Leonardo de Melo Gadelha, ex-presidente do INSS
Edison Antônio Costa Britto Garcia, ex-presidente do INSS
Francisco Paulo Soares Lopes, ex-presidente do INSS
Eliane Viegas Mota, diretora de Auditoria de Previdência e Benefícios da CGU
Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi, delegado da Polícia Federal
Patrícia Bettin Chaves, coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da DPU
Eli Cohen, advogado citado como responsável pela descoberta das fraudes

Estratégia do governo

Mesmo com a tentativa de domínio da oposição, a base governista busca retomar o controle político da comissão. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) foi escolhido coordenador da tropa de choque governista. Em reuniões internas, o Planalto reforçou a estratégia de reduzir eventuais desgastes e enfatizar que a investigação só acontece porque o atual governo não teme dar transparência aos órgãos de controle.

A CPMI terá prazo inicial de 180 dias para concluir seus trabalhos. Enquanto isso, o governo Lula já tomou medidas práticas: em julho, editou uma medida provisória liberando crédito extraordinário de R$ 3,3 bilhões para ressarcir os aposentados e pensionistas prejudicados – e grande parte dos lesados pelo esquema já foram ressarcidos.

Com o avanço das votações, a expectativa é de que a CPMI se transforme em novo palco de embates entre oposição e governo. De um lado, parlamentares bolsonaristas tentam desviar a atenção de onde o esquema nasceu; de outro, governistas buscam deixar claro que foi graças à autonomia institucional dada por Lula que a fraude veio à tona e que os aposentados finalmente estão sendo indenizados.






Siga a coluna no Facebook e no Instagram para não perder nada.

por Redação revista forum

Modelos de Sites Jornalísticos/TV e Radio Web/Lojas Virtuais da PescWeb








LEIA TAMBÉM