

A Bahia é estado do Nordeste com maior número de mortes por autoagressões entre adolescentes; especialistas alertam para sinais
📱 SIGA PRA MAIS NOTÍCIAS: entre na comunidade do 2JN no WhatsApp
Os registros foram feitos por profissionais que atendem adolescentes nessas condições e que devem, obrigatoriamente, seguir o protocolo de notificação.
De acordo com Cefas Gonçalves Pio de Oliveira, pediatra especializado em atendimento a adolescentes e vice-presidente da Sociedade Baiana de Pediatria, nem todo jovem que comete autolesões tem a intenção de tirar a própria vida. Porém, a ausência do diagnóstico e de acompanhamento psicológico pode fazer o quadro evoluir para uma tentativa de suicídio no futuro.
“Esse paciente tem maior chance de cometer suicídio no futuro. Precisamos ficar atentos a como detectar as autolesões, porque muitas vezes eles não chegam no consultório com essa queixa”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/i/d/SQz4qeTnqtrQ81pQGHrg/adolescentes-foto-2-nova-versao.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/i/d/SQz4qeTnqtrQ81pQGHrg/adolescentes-foto-2-nova-versao.jpg)
Entre 2023 e 2024, 143 crianças, jovens e adolescentes morreram devido a lesões autoprovocadas na Bahia. — Foto: Getty Images
No nordeste, foram 616 casos de óbitos provocados por autolesões em 2023 e 2024. Bahia, Pernambuco e Ceará são os três estados da região com os maiores números de casos.
Óbitos por lesões autoprovocadas na Região Nordeste
| Estado | Número de casos entre 2023 e 2024 |
|---|---|
| Bahia | 143 |
| Ceará | 110 |
| Pernambuco | 88 |
| Maranhão | 72 |
| Rio Grande do Norte | 46 |
| Piauí | 46 |
| Paraíba | 44 |
| Alagoas | 38 |
| Sergipe | 29 |
| Total | 616 |
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria
LEIA TAMBÉM
Como identificar casos de autolesões
O pediatra conta que os adolescentes costumam chegar no consultório acompanhados dos familiares e com outras queixas de saúde, a exemplo de dor de cabeça. Durante a consulta, ao perceber sinais de autolesão, é orientado que a família procure um psicólogo e um psiquiatra para dar andamento ao tratamento.
Segundo a psicóloga Ana Paula Carregosa, pessoas leigas costumam classificar as autolesões como uma “forma de chamar atenção”. Mas, para esses adolescentes, o ato funciona como estratégia compensatória para lidar com situações de conflito.
“Pode funcionar como uma autopunição, como como uma forma de regular uma sensação ou sentimento desagradável e até como um pedido de ajuda”.
Neste contexto, alguns sinais podem ser observados pelos familiares e amigos:
- uso de casacos mesmo no calor;
- marcas de queimaduras e arranhões no corpo;
- mudanças de comportamento de forma abrupta.
Ao perceber as lesões, é importante estabelecer uma comunicação acolhedora com o adolescente, validando seus sentimentos e demonstrando preocupação com a situação. “Não é indicado conversar de forma punitiva ou invasiva, é preciso acolher esse adolescente”, ressaltou a psicóloga.
A importância da terapia
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/M/g/e5CqRoSmCf76ByDwAgMw/psicoterapia-novo-formato.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/M/g/e5CqRoSmCf76ByDwAgMw/psicoterapia-novo-formato.jpg)
A psicoterapia é indicada em casos de autolesões — Foto: Banco de imagens
Na terapia, o adolescente vai ser acolhido pelo profissional e vai poder conversar de forma aprofundada sobre o que o leva a provocar a autolesão.
“A terapia vai proporcionar educação emocional, estratégias para manejar crises e aumento do repertório de habilidades sociais. Ele vai aprender como lidar com sensações e sentimentos desagradáveis de forma saudável”, pontuou a psicóloga.
Além disso, a especialista destaca a importância dos familiares envolvidos na criação do adolescente também serem acolhidos nesse processo, afinal, assuntos como ansiedade e depressão começaram a ser abordados recentemente e muitos desses adultos não tiveram acesso à educação emocional.
Para Ana Paula, a família deve ser um ponto de apoio e trabalhar junto com o adolescente em prol da melhora da saúde mental.
A cada dez minutos, um adolescente comete algum tipo de autolesão ou tenta tirar a própria vida no Brasil.
Na pesquisa, São Paulo aparece como o estado com mais notificações de autolesões, com 24.937 registros. Na sequência, vem Minas Gerais, com 10.645, seguido do Paraná, com 8.417.
Em números absolutos, o Sudeste lidera o ranking nacional, com quase 47 mil casos. A região Sul aparece na segunda posição, com 19.653 registros, e o Nordeste, com 19.022 casos, na terceira.
Segundo os especialistas, o problema pode ser ainda maior do que indicado na pesquisa, pois há possibilidade de subnotificação por falhas no preenchimento ou na comunicação das ocorrências.
por Redação 2JN – g1ba
Modelos de Sites Jornalísticos/TV e Radio Web/Lojas Virtuais da PescWeb
LEIA TAMBÉM







