Nikolas usa símbolo de grupo neonazista e morte de Kirk para recriar Comando de Caça aos Comunistas

Nikolas Ferreira tem sido saudado por grupos neonazistas da chamada “bolha da resenha”, que reúne supremacistas brancos que pregam a radicalização violenta contra todos os que classificam como "esquerda".
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Buscando assumir no Brasil o protagonismo da guerra declarada pela ultradireita dos EUA após o assassinato do ativista armamentista Charlie Kirk, Nikolas Ferreira (PL-MG) tem sido saudado por grupos neonazistas da chamada “bolha da resenha”, que reúne supremacistas brancos que pregam a radicalização violenta contra todos os que classificam como “esquerda”.

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Aproveitando a comoção pelo assassinato de Kirk, o parlamentar mineiro recriou, em versão virtual, o antigo Comando de Caça aos Comunistas, estrutura paramilitar formada nos anos 1960 que deu apoio “civil” à instalação da Ditadura, e causou furor em grupos neonazistas ao usar um símbolo desses grupos em uma publicação.

Antes do golpe de 1964, a organização paramilitar Comando de Caça aos Comunistas (CCC) promoveu uma verdadeira perseguição usando o terror propagado pela mídia liberal em torno “comunismo” durante a Guerra Fria. Um dos fundadores, o policial civil e estudante de Direito Raul Nogueira de Lima, mais tarde se tornaria torturador no DOPS, o Departamento de Ordem Polícia e Social, e conhecido como “Raul Careca”.

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Ao dar início à exposição de internautas que criticam a narrativa da direita em torno do assassinato de Kirk e pregar um movimento de perseguição a trabalhadores de “esquerda” – pressionando empregadores pela demissão -, Nikolas usou uma imagem em que aparece ao lado do chamado Clown Pepe com os dizeres “seja a extrema-direita que eles tanto têm medo”.

A publicação com a figura e a espécie de slogan da ultradireita incitou esses grupos neonazistas que afirmaram, segundo a Folha de S.Paulo, que com a publicação de Nikolas “finalmente entraram na resenha”. Segundo o jornal, um dos anônimos mais ativos publicou uma foto do ditador chileno Augusto Pinochet com a legenda “cadê a extrema direita dessa porra?”, incitando seguidores a se assumirem abertamente extremistas.

A figura do Clown Pepe é uma variante do chamado Pepe The Frog (O Sapo Pepe), um cartoon usado pelos grupos neonazistas nos chans, os fóruns anônimos na internet, que reúne incels – do inglês involuntary celibates, os celibatários involuntários – e ativistas da ultradireita que pregam a radicalização por meio de discursos racistas e homofóbicos, frequentemente disfarçadas de defesa de valores tradicionais e da família.

No ano passado, a Fórum detalhou o crescimento de células neonazistas na internet em reportagem exclusiva, que mergulhou nas profundezas da internet onde são nutridas verdadeiras redes de ódio que contam com perfis de alto alcance nas redes sociais, fóruns de discussão abertos e fechados, além de uma miríade de perfis médios e pequenos que protagonizam os ataques, ameaças e apologias logo que os grandes soltam os chamados “apitos de cachorro”.
Apito de cachorro

Após proferir um discurso criminoso, prometendo “prender” Lula e iniciar a perseguição a grupos de apoio ao presidente, e celebrar o anúncio de uso de força militar pelos Estados Unidos contra o Brasil, Nikolas dobrou a aposta e soou o apito de cachorro para incitar os apoiadores a “destruírem” aqueles que considera como o “mal” na sociedade.

No mesmo dia 11 de Setembro, o parlamentar publicou a imagem de um “anjo” com a frase “do not make peace with evil, destroy it” – “não faça as pazes com o mal, destrua-o” – que é usada por grupos armamentistas conservadores e cristãos dos EUA como declaração de uma espécie de “guerra santa” contra todos os grupos políticos adversários de Donald Trump.

Na noite anterior, o deputado replicou um texto em inglês, que circula em grupos ultraconservadores dos EUA, incitando vingança pela morte do influenciador Charlie Kirk, apoiador de Trump e lobista de armamentos, que foi assassinado a tiros durante evento universitário em Utah. Mesmo sem identificação do autor, a ultradireita se apressou em culpar um “esquerdista” pelo crime.




“A morte de Charlie Kirk não será esquecida – ela clama contra a injustiça e desperta corações”, diz o texto compartilhado por Nikolas. “Charlie Kirk não partiu em vão. E quando tentarem nos esmagar, perceberão tarde demais: criaram uma geração que jamais será derrotada”, conclui o texto.

“Destruir o mal”

As mensagens divulgadas por Nikolas Ferreira nas redes ecoam no Brasil a “guerra religiosa” declarada pela ultradireita estadunidense aliada ao governo Trump, que promove perseguição a diversos grupos no país, como imigrantes, LGBTs e qualquer pessoa que não professe o cristianismo.

A mesma frase, que prega a “destruição” do mal, distorcendo o sentido religioso – que faz referência ao mal interno de cada ser humano – tornou-se um slogan político e é usados pelos grupos radicais de apoio a Trump que defendem o confronto e a eliminação do que consideram ideologias e ações nocivas ou imorais na sociedade.

Horas antes, em meio à comoção pelo assassinato de Kirk, a frase foi divulgada e comentada pelo ativista Ben Owen, que comanda movimentos como Flanders Fields e da We Fight Monsters, que fazem uma espécie de pregação armada em grupos vulneráveis e a eliminação de “inimigos”.

“Algumas coisas nesta vida não devem ser toleradas. Elas devem ser confrontadas. O mal não negocia. Ele não se compromete. Ele não para por si só. É por isso que homens e mulheres como nós existimos. Para adentrar em lugares sombrios. Para ficar entre os inocentes e os predadores. Para lutar quando outros não lutam. Isto não é sobre política. Isto é sobre sobrevivência. Isto é sobre a próxima geração não crescer em um mundo onde monstros vagam livremente. Não faça as pazes com o mal. Destrua-o. Junte-se a nós”, diz o texto compartilhado por Owen que, na sequência, apontou os grupos que devem ser “riscados” da sociedade.

Em uma folha de papel ele lista, entre outros: negros, gays, democratas e islamicos que, segundo ele, devem todos fazer parte da interpretação que fazem do “humano americano”.

A conclamação viralizou ao ser propagada nas redes sociais da ultradireita dos EUA como um apito de cachorro para vingar o assassinato de Kirk. O texto ainda se alinha à narrativa de Donald Trump que busca usar o caso para radicalizar ainda mais a ultradireita nos EUA.

Em artigo na edição atual da revista alemã Publik Forum, a teóloga Hille Haker afirma que os católicos ultraconservadores fazem parte de um movimento inter-religioso que pratica o revisionismo histórico e promove ‘a transformação da democracia estadunidense em uma teocracia com Trump no comando’.

Segundo Hile, professora de ética teológica da Universidade Loyola, de Chicago, as “redes reacionárias” usam as convicções religiosas para cooptar os quadros que estão na mira de Trump.

“O revisionismo histórico de Trump é imperialista, racista e sexista: concentra-se na reivindicação geopolítica dos Estados Unidos sobre todo o continente norte-americano, na história da escravidão e em uma ordem de gênero tradicional, combinada com ideias eugênicas de promover a descendência branca”, diz.

Ainda de acordo com a teóloga, três centros de poder católicos estão ligados ao governo Trump: o Opus Dei, os Cavaleiros de Malta e os Cavaleiros de Colombo. Ela ainda menciona organizações como a Fundação Heritage, que é cultuada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e replicada pelos bolsonaristas no Brasil como fonte de informação.






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por Redação Revista Forum

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