Moraes abriu a sessão do julgamento na Primeira Turma da Corte na manhã desta terça-feira (9) rejeitando questões preliminares apresentadas pelas defesas dos 8 réus do núcleo crucial da trama, como o pedido para anular a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, e depois passou a elencar “atos preparatórios” para a tentativa de golpe, que teriam iniciado no ano de 2021.
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Segundo o ministro, o fatídico discurso golpista de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021, Dia da Independência, durante um ato bolsonarista na avenida Paulista, no qual o ex-presidente atacou o STF e que, a partir daquele momento, não acataria mais ordens judiciais, escancara como a tentativa de golpe de Estado já estava sendo preparada e começou a ser executada naquele momento. Moraes explicou que, naquele discurso, Bolsonaro incitou a população contra o Supremo, avisou que não deixaria o poder mesmo em caso de derrota nas eleições de 2022 e, com isso, foi “criando um clima” propício a ruptura democrática [Veja vídeo e acompanhe o julgamento ao vivo mais adiante].
“Na sequência de atos executórios com graves ameaças ao Poder Judiciário, houve uma a tentativa, uma forte tentativa com emprego de grave ameaça, de restringir o exercício do Poder Judiciário em 7 de setembro de 2021. Aqui todos se recordam de uma grande crise institucional em relação, inclusive ao Poder Legislativo, que foi criada quando o então o presidente, hoje réu, Jair Messias Bolsonaro, em seus discursos, tanto o discurso no 7 de setembro aqui em Brasília quanto na Paulista, em São Paulo, passou a fazer uma série de ameaças e afirmou categoricamente que, a partir daquele momento, descumpriria ordens judiciais. E mais: instigou milhares de pessoas presentes e milhões de pessoas pelas redes sociais, instigou contra o Poder Judiciário, contra o Supremo Tribunal Federal e contra seus ministros. Instigou, ameaçando gravemente todos esses integrantes, o que fez com que o ministro Luiz Fux, o presidente à época deste Supremo Tribunal Federal, precisasse ampliar sua segurança naquele 7 de setembro e nos dias subsequentes”, declarou Moraes.
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O ministro relator ainda resgatou trecho da fala de Bolsonaro no mesmo discurso em que o ex-presidente confessa o crime de abolição do Estado Democrático de Direito.
“O réu Jair Bolsonaro, se referindo ou se dirigindo ao então, ministro-presidente, Luís Fux, disse: ‘Ou o chefe desse poder enquadra o seu, ou esse poder pode sofrer aquilo que não queremos, porque nós valorizamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada poder na República. Ou o chefe desse poder enquadra o seu, ou esse poder pode sofrer aquilo que não queremos’. Uma frase que confessa, novamente de viva voz, perante milhares de pessoas presenciais, o crime de abolição do Estado Democrático de Direito, que, como todos sabemos, diz, tentar abolir. ‘Ou o chefe desse poder enquadra o seu, ou esse poder pode sofrer aquilo que não queremos’. Grave e clara ameaça de impedir ou restringir o livre exercício do Poder Judiciário”, pontuou.
Moraes resgatou ainda o trecho do discurso em que Bolsonaro diz que há “um ministro do Supremo que ousa a continuar fazendo aquilo que não admitimos”. Neste momento, o ministro detonou o ex-presidente, afirmando que nem mesmo em ditaduras todos os juízes se submetem à vontade de um ditador.
Veja vídeo:
Julgamento do golpe
Moraes usa palavras do próprio Bolsonaro para condená-lo e manda recado a Tarcísio
Saiba mais e veja VÍDEO:https://t.co/z345q1auBL
— Revista Fórum (@revistaforum) September 9, 2025
“Só nas ditaduras juízes ou ministros fazem o que um ditador determina. E nem em ditaduras todos os juízes ou ministros fazem. Disse o réu Jair Messias Bolsonaro que temos um ministro do Supremo que ousa continuar fazendo aquilo que nós não admitimos. Que ele tem tempo ainda para se redimir. Veja, isso não é conversa de bar isso, não é alguém no clube conversando com o amigo. Isso é um presidente da República no 7 de setembro, a data da Independência do Brasil, instigando milhares de pessoas contra o Supremo Tribunal Federal, contra o Poder Judiciário, especificamente contra um ministro do Supremo Tribunal Federal. O réu continua afirmando que ele [o próprio Moraes] tem tempo ainda para se redimir, tem tempo ainda para arquivar seus inquéritos. Estamos falando de 7 de setembro de 2021”, continuou o ministro.
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Recado a Tarcísio
Na sequência, Moraes mandou um recado direto ao governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) e outros bolsonaristas que insistem na incitação ao golpismo. No último domingo (7), também feriado do Dia da Independência, Tarcísio fez uma fala praticamente idêntica a de Bolsonaro: afirmou que o país vive uma “ditadura”, chamou Moraes de “tirano” e pregou um “basta” na atuação do STF. Ao comentar o caso, Moraes citou, inclusive, as articulações de bolsonaristas junto ao governo dos Estados Unidos para coagir o judiciário brasileiro.
“Recentemente, frases semelhantes foram ditas para tentar nova interferência, agora internacional, na independência desse Poder Judiciário”, disse Moraes, antes de elencar outros trechos do discurso de Bolsonaro em 2021 que se assemelham ao de Tarcísio em 2025.
“‘Tem tempo ainda para arquivar seus inquietos’, ou melhor, disse o réu Jair Bolsonaro, ‘acabou o tempo dele’. ‘Sai, Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha, deixe de oprimir o povo brasileiro. Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já esgotou. Ele tem tempo ainda de cuidar da tua vida’. Qualquer pessoa decente de boa-fé sabe que um líder político, num alto cargo, instigando, insuflando milhares de pessoas dessa forma, aumenta exponencialmente as agressões, as ameaças ao Supremo Tribunal Federal, aos ministros do Supremo Tribunal Federal e às suas famílias. Atitudes criminosas confessadas no dia 7 de setembro”, emendou o ministro.
Assista:
Moraes cita discurso golpista de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021 em voto para condenar ex-presidente pic.twitter.com/w4ebEwFKwb
— Revista Fórum (@revistaforum) September 9, 2025
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Entenda o julgamento de Bolsonaro e outros 7 réus da trama golpista
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira (9) o julgamento do núcleo crucial da trama golpista, composto por Jair Bolsonaro e outros sete réus. O processo investiga a organização criminosa que atuou para deflagrar um golpe de Estado e manter o ex-presidente no poder após sua derrota nas urnas em 2022.
A sessão foi aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, e em seguida a palavra foi concedida ao relator, ministro Alexandre de Moraes.
Entre os crimes apontados pela PGR estão:
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Organização criminosa;
- Dano qualificado;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Se condenados, Bolsonaro e seus cúmplices podem pegar mais de 30 anos de prisão. O processo se apoia em provas como a chamada “minuta do golpe” – documento que previa medidas de exceção para impedir a posse de Lula – e no plano “Punhal Verde e Amarelo”, que chegou a cogitar o sequestro e assassinato de autoridades, incluindo o próprio ministro Moraes, além do presidente Lula e do vice Geraldo Alckmin.
Após o voto do relator, os demais ministros seguem a seguinte ordem: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, por último, o presidente da Turma, Cristiano Zanin. A condenação exige maioria simples: três dos cinco votos.
Em caso de condenação por maioria simples, como um placar de 4 a 1, os réus ainda poderiam apresentar um recurso dentro da própria Primeira Turma, o que retardaria eventual prisão. Já em caso de unanimidade pela condenação, restaria apenas a possibilidade de embargos de declaração, recurso limitado a esclarecer pontos do acórdão e que raramente altera o resultado. Nessa hipótese, a prisão dos acusados pode ser decretada.
Para que o caso seja levado ao plenário do STF, seria necessário que pelo menos dois ministros votassem pela absolvição, estabelecendo um placar de no mínimo 3 a 2.
Quem são os réus
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin;
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça;
- Augusto Heleno – ex-ministro do GSI;
- Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto – ex-ministro e candidato a vice em 2022;
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
por Redação Revista Forum
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