A consequência inesperada da guerra comercial entre EUA e China para a África

Exportações chinesas para o continente batem recorde, impulsionadas por tarifas e desvalorização do yuan
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As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses vêm gerando efeitos inesperados no comércio global e a África desponta como uma das principais beneficiadas.

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Em 2025, as exportações da China para o continente já superaram todo o volume registrado em 2020 e devem ultrapassar, pela primeira vez, a marca de US$ 200 bilhões, segundo dados divulgados pela Bloomberg.

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“Os exportadores chineses fizeram um trabalho realmente impressionante de diversificação para mercados emergentes nos últimos anos, incluindo a África”, disse Christopher Beddor, vice-diretor de pesquisa sobre China da Gavekal Dragonomics, ao site especializado em economia.

O tarifaço de Donald Trump tem dado um incentivo extra para que a África compre mais da China. Diversos produtos do continente que tinham acesso isento de impostos aos mercados estadunidenses, concedido pela Lei de Crescimento e Oportunidades para a África, estão agora sobretaxados pelos EUA.

Política tarifária chinesa
Por outro lado, o líder chinês Xi Jinping se comprometeu em junho remover impostos sobre importações de todas as nações africanas com as quais tem relações diplomáticas. E, no mesmo mês, Pequim permitiu a importação de produtos agrícolas da Etiópia, Congo, Gâmbia e Malawi, elevando para 19 o número de países africanos com acesso ao mercado do país asiático.

“Acordos de isenção de impostos colocam a China em forte contraste com as políticas protecionistas percebidas por algumas potências ocidentais”, avaliou a pesquisadora Linda Calabrese, do think tank londrino ODI Global, em artigo publicado em julho. Para ela, a estratégia reforça a imagem da China como “um parceiro confiável e equitativo para o Sul Global”.

Outro elemento que impulsionou as vendas foi a desvalorização do yuan em 2025, que tornou os produtos chineses mais acessíveis para compradores africanos. Como reflexo, as importações de painéis solares da China cresceram 60% no continente apenas neste ano.






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por Redação 2JN

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